FISIOTERAPIA NA DOR PÉLVICA CRÔNICA.


A dor pélvica crônica (DPC) é definida como dor abdominal abaixo do umbigo por pelo menos 6 meses.

Dor pélvica não menstrual ou não cíclica, com duração de pelo menos seis meses, suficientemente intensa para interferir em atividades habituais e que necessita de tratamento clínico ou cirúrgico.

Comumente a DPC é tratada como uma perspectiva ginecológica, mas, com o avanço das pesquisas científicas sobre o tema, os investigadores descobriram que a DPC também pode ser também de origem não ginecológica.

É um problema de saúde complexo e confuso, que afeta a qualidade de vida de muitas mulheres com vários tipos de distúrbios uro-ginecológicos, muitas vezes resultando em depressão, ansiedade e fadiga.

Com base no sistema nervoso central, a dor envolve respostas emocionais, cognitivas, comportamentais e sexuais.

A sensação de dor e sua intensidade não correspondem com a localização da lesão identificada, mas são sentidas em outros lugares, levando a uma grande variedade de distúrbios músculo-esqueléticos e miofascial.

A Síndrome da Dor Miofascial (SDM) é uma desordem regional neuromuscular caracterizada pela presença de locais sensíveis nas bandas musculares tensas/contraídas, acometendo músculo, tecido conectivo e fáscias. Acomete indivíduos na faixa etária entre 31 e 50 anos de idade. Está presente em 30% centros primários versus 85-93% dos centros especializados. Muitos profissionais da área de saúde não a reconhecem.

Mulheres com DPC têm postura anormal isso é uma adaptação na tentativa de aliviar a dor, qualquer que seja a origem poderá levar à tensão crônica muscular, articular e ligamentar.

85% das pacientes com DPC apresentam disfunções do sistema musculoesquelético.

Na maioria das vezes a paciente com dor pélvica crônica apresenta alterações posturais características como:

  • Hiperlordose lombar

  • Hiperextensão de joelhos

  • Anteriorização pélvica

  • Espasmo do m. levantador do ânus

  • Síndrome do piriforme

A Dor e tensão muscular crônicos podem desencadear pontos gatilho (PG) em alguns músculos, gerando:

  • diminuição da força muscular

  • limitação da amplitude de movimento

  • hipertonia muscular

  • Hipersensibilidade focal com aumento de fibras musculares com dor a palpação local ou irradiada

  • Ativa X Latente

  • Excessiva liberação de acetilcolina e outras substâncias inflamatórias após contração crônica.



  • A Dor miofascial pélvica geralmente acomete os músculos:

  • M Levantador do Ânus

  • M Obturador Interno

  • M Reto Abdominal

Os músculos do assoalho pélvico das mulheres com DPC são doloridos e encurtados, e consequentemente fracos, essas mulheres apresentarem dificuldade de contrair isoladamente esses músculos. Homens também podem apresentar DPC.

Cabe então ao fisioterapeuta nesses casos:

  • Identificar e tratar alterações e desvios posturais

  • Relacionar as alterações posturais com as queixas do paciente

  • Identificar e tratar alterações musculares

  • Verificar e tratar as disfunções do assoalho pélvico


Referências: 1. Campbell F, Collett BJ. Chronic pelvic pain. Br J Anaesth. 1994;73(5):571-3. 2. Shulman LP, Int J Fertil Womens Med. 2005 Mar-Apr;50(2):73-8. 3. Patt R, Plancarte R. Superior hypogastric plexus block: a new therapeutic approach for pelvic pain. En: Waldman S, Winnie A. Interventional Pain management. Philadelfia: 1996. p. 384-91.

4. Myofascial pain syndrome in the pelvic floor: a common urological condition]. Itza F et al 2010





Dra. Renata Teles Buere

Fisioterapeuta especialista em fisioterapia aplicada a neurologia – UFMG, com expertise em Fisioterapia pélvica, colaboradora no serviço de ginecologia, algia pélvica e neurodisfunção miccional da UNIFESP




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