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Vamos falar um pouco sobre o tema proposto:

 

Hoje mais de 2.000 estudos em Fisioterapia após a prostatectomia radical mostram como a reabilitação pélvica masculina vem crescendo e trazendo resultados positivos para essa população. Sociedades internacionais através de seus consensos vêm recomendado a Fisioterapia como um bom tratamento conservador.  Sendo assim vale a pena entendermos mais um pouco sobre o assunto e buscar aprimoramento para trabalhar com essa população tão necessitada de atenção fisioterapêutica.

 

A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão muito pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto. A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual.

 

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma). Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres. Sua taxa de incidência é cerca de seis vezes maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento.

 

Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida. (FONTE: INCA)

 

O câncer de próstata ocorre principalmente em homens mais velhos. Cerca de 6 em cada 10 casos são diagnosticados em homens com mais de 65 anos, sendo raro antes dos 40 anos.

 

A média de idade no momento do diagnóstico é de cerca de 66 anos.

 

O câncer de próstata é a segunda principal causa de morte por câncer em homens, seguido apenas pelo câncer de pulmão. Cerca de 1 homem em 36 morrerá de câncer de próstata.

 

O câncer de próstata pode ser uma doença grave, mas a maioria dos homens diagnosticados com a doença, não morrem por causa dela.

 

A prostatectomia radical é tratamento primário do carcinoma prostático, eficaz na eliminação da recidiva da patologia e no aumento da sobrevida, porém traz como um dos efeitos secundários a incontinência urinária, que causa um profundo impacto negativo na vida diária desses homens.

  • A incidência da incontinência urinária após a prostatectomia radical varia de 2% a 87%.

  • Principal causa - lesão iatrogênica dos esfíncteres urinários

  • Tempo de recuperação da continência - processo lento

 

 

 

COMPLICAÇÕES MAIS COMUNS APÓS CIRURGIA PARA RETIRADA DA PRÓSTATA

 

Qualquer procedimento cirúrgico traz consigo riscos e possíveis efeitos colaterais. Quanto mais idoso for o paciente, maior o risco destas complicações.

 

Riscos Cirúrgicos - Os riscos em qualquer tipo de prostatectomia radical são muito parecidos, assim como os de qualquer cirurgia de grande porte, incluindo os riscos anestésicos. Entre os mais importantes temos: pequeno risco de infarto, de derrame e de trombose em pernas, embolia pulmonar, assim como infecção no local da incisão.

 

Efeitos Colaterais - Os principais efeitos colaterais da prostatectomia radical são a incontinência urinária e a impotência. Entretanto, esses efeitos colaterais também podem ser provocados com outras formas de tratamento.

 

INCONTINÊNCIA URINÁRIA

 

Existem diferentes graus de incontinência, que podem afetar o homem, não só fisicamente, mas emocional e socialmente:

 

Incontinência de Estresse – É o tipo mais comum de incontinência após a cirurgia de próstata, quando a urina pode escapar a um movimento repentino como tossir, rir ou espirrar.

 

Incontinência por Transbordamento – Quando a bexiga não é totalmente esvaziada. Neste caso, o homem leva um tempo grande para urinar e só consegue um fluxo fraco. Geralmente é causada pelo bloqueio ou estreitamento da saída da urina pelo tumor ou tecido cicatricial.

Incontinência de Urgência – Quando se tem uma necessidade súbita de urinar. Esse problema ocorre quando a bexiga torna-se muito sensível ao alongamento, ou seja, quando a bexiga enche de urina.

 

Raramente após a cirurgia, o homem perde toda a capacidade de controlar sua bexiga, o que é chamado de incontinência urinária contínua.

 

Geralmente o controle da bexiga, em homens submetidos a cirurgia de câncer de próstata retorna ao normal dentro de algumas semanas ou meses após a prostatectomia radical. O tratamento para a incontinência depende do seu tipo, causa e severidade.

 

DISFUNÇÃO ERÉTIL

 

A prostatectomia, é um fator de risco para a disfunção erétil, problemas de ejaculação e alterações no orgasmo. A taxa de manutenção da função erétil é maior em homens abaixo de 65 anos, no entanto outros fatores como diabetes, hipertensão, colesterol elevado, tabagismo e doenças cardíacas interferem na disfunção erétil pós prostatectomia. Alguns estudos mostram que a incidência da disfunção erétil após a prostatectomia radical pode chegar a 60%.

 

INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS

  • Eletroestimulação funcional

  • Biofeedback

  • Exercícios para os MAPs

  • Terapia comportamental

  • Exercícios domiciliares

 

CONCLUSÕES:

 

Treinamento muscular do assoalho é recomendado para o tratamento inicial de incontinência urinária pós prostatectomia radical;

 

Antimuscarínicos para urgência ou incontinência de urgência;

Esfíncter urinário artificial;

 

Slings masculinos são uma alternativa para homens com IU pós prostatectomia.

 

Para potencializar os resultados dos exercícios dos MAPs a curto e longo prazo é imperativo respeitar os princípios da fisiologia do exercício e inserir o programa dos exercícios dos MAPs nos cuidados de saúde diários.

 

 

Referências

 

1. Zaidan P; Muller VJF; Silva EB. Electrical stimulation, pelvic floor muscle exercises, and urinary incontinence in post-prostatectomy patients: Controlled randomized double-blind experiment. International Journal of Current Research. Vol .8, Issue, 11, pp.41859-41863, November, 2016.

2.  Abrams P, Cardoso L, Khoury S, Wein A. Incontinence. 4nd ed. Paris: Health Publication 2013. p. 1908,1912.

3. Lima CLM, Vaz FP, Müller V. Incontinência Urinária Pós-Prostatectomia: Tratamento. Projeto Diretrizes-Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina, 2006.

4. Zaidan P,  Silva EB. Electrostimulation, response of the pelvic floor muscles, and urinary incontinence in elderly patients post prostatectomy. Fisioter mov. 2014;27(1):93-100.

 

 

 

 

Dra. Patrícia Zaidan

 

Fisioterapeuta Especialista em Uroginecologia – UGF
Mestre em Ciências do Exercício e do Esporte  - UERJ 
Doutoranda em Ciências do Exercício e do Esporte  - UERJ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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